Diário de um mago
Compartilhando idéias…

Ok, todos os rpgistas sabem que o momento mais desesperador de um RPG é quando chega o momento em que o narrador diz: “Ok, fichas prontas, agora qual será o BACKGROUND?”. Existe palavra mais aterrorizadora pra um jogador do que “background”? Pra ser sincero, em meus quase 7 anos de RPG foram raras as vezes que vi um jogador ficar totalmente “seguro” e “convicto” na hora de fazer um Background. Na maioria das vezes eles sempre escapam pra três opções: 1 – faz o basicão que ele já tá acostumado de fazer (baseando-se sempre “naquele personagem que adorou interpretar num rpg passado”). 2 – Tenta inventar alguma coisa, mesmo que simples, baseado em alguma de suas características. E por fim, 3 – Imita quase que descaradamente algum personagem que ele já viu/leu antes em alguma outra obra (televisão, livros, cinema, etc…). São boas alternativas, não posso negar. Mas dificilmente alguma delas terá tanta profundidade se o cara já tiver uma história REALMENTE boa preparada. Então, baseado nesse assunto, venho até vocês trazer uma de minhas experiências sobre “Como fazer um personagem”.

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Antes de mais nada, tenho algumas coisas pra falar. Primeiro que os RPGs variam de narrador pra narrador. Se o que pra mim é de suma importância, pra outros narradores não é. E isso é muito importante em se levar em questão, vide que não existe uma “lei imutável” de como se jogar/narrar rpg. Nessa minha longa estrada de vida (no sentido literal, vide que já morei em diversos Estados do Brasil), uma das coisas que eu percebi e ficou bem claro pra mim é que: cada jogador é um jogador. Não adiantava eu chegar numa mesa recém-formada no RJ e tentar narrar da mesma forma que eu narrava no CE. Não apenas pelo fato deles serem “pessoas de culturas diferentes”, mas mais pelo fato de que eles aprenderam a jogar rpg de forma diferente. O mesmo vale aqui em Chatotiba. O jeito encontrado por mim foi a adaptação. E é basicamente o que vocês deveriam fazer com esse meu texto. Tentar “adaptá-lo” para os seus próprios paradigmas sobre o RPG.

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Então o problema é fazer um BOM background. Você está agora olhando pra ficha pensando na “fantástica e surpreendente história que o narrador está preparando” e você mal consegue pensar em outra coisa a não ser: “Eu preciso combar, pra ter uma ficha foda”, “gostaria de ter aquele poder/arma tal que tal personagem de anime tem”, ou “Será que a minha namorada vai querer fazer sexo hoje?”. Da vem aquele velho desespero no qual inevitavelmente vai cair pra uma das 3 opções que citei anteriormente. Se este for o caso melhor darmos uma reformulada de como fazer pra mudar essa situação.

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Você já fez a ficha de algum personagem de televisão? Você, como um bom rpgista, já deve ter visto um personagem, achado ele muito foda, e pego uma ficha de seu cenário preferido e feito a ficha dele não? Eu por exemplo já fiz de vários: Dean e Sam Winchester de Supernatural, Ed e Al de Fullmetal Alchemist, de alguns personagens de Heroes, do Batman e até mesmo uma versão vampiro malkaviano do Coringa. Isso é muito legal de se fazer, mas… você já parou pra pensar de como esses personagens parecem mais profundos e mais realistas quando você os cria numa ficha? O que fazem eles serem tão melhores quanto aquele seu personagem no qual nem o nome é tão “marcante” assim?

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“Ora, Eriol! Mas é obvia a resposta! É por que esses personagens tem background e os nossos não. “

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Sim, eu sei disso. Mas eu estou aqui pra ajudá-los nesse problema. Esses dias eu me peguei fazendo uma ficha de Mago: A Ascensão do Edward Elric, protagonista de Fullmetal. Foi durante esse processo que comecei a notar algumas coisas importantes: “não é pelo fato do Ed ter um background que o torna um personagem especial, principalmente por que estou criando ele baseado no primeiro episódio. Ele é especial por que ele É diferente!”. Fora o fato dele ter braço e perna mecânica, ele se sacrificou pra salvar o irmão da morte, fez uma promessa em sangue que recuperaria seus corpos e, principalmente, vivenciou fatos em sua vida que até hoje o aterroriza, estando dormindo ou não. Em resumo: o que torna o protagonista de Fullmetal Alchemist especial é nada menos dos que os Defeitos.

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Citarei aqui os defeitos que dei pra minha ficha do Ed:

Segredo sombrio (1)

Baixa estatura (1)

Criança (1)

Flashbacks (3)

Sono profundo (1)

Cabeça Quente (2)

Obs: passou do limite dos 7 pontos? Eu sei! Mas eu não podia ignorar o defeito Flashback. Claro, de acordo com as regras ele simplesmente não irá receber os 2 pontos que sobraram.

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Então, macacada, vamos ver os defeitos desse personagem (se esquecer um pouco que ele é um char de anime). Segredo sombrio é fantástico. Ele e o irmão fizeram uma Transmutação Humana que na lei da alquimia é um Tabu terrível, passível de ser caçado pelo exército. Baixa Estatura e Cabeça Quente nem precisa comentar neh? É o toque de humor do personagem (e sim, o de acordo com a autora, que nunca revelou de fato) o Ed tem menos de 1,60 de altura!). Querendo ele ou não, ele é uma criança. Pode ter seus 14 anos, mas não vai ser tratado como igual ao lado dos adultos. E isso acontece muito na série! (“não contaremos isso ainda pro Ed. É um assunto muito sério pra uma criança”). Daí vem o Sono profundo, que pra não dar Spoiler tem importância na série, e por fim, Flashbacks, o mais legal dos defeitos do Ed.

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Depois de ter falhado na transmutação da mãe. Se culpar pelo fato do irmão não ter um corpo. E ainda por cima vivenciar coisas terríveis, como o caso da pequena Nina, isso fez com que o Ed de vez em quando tivesse suas recaídas, e o pior de tudo: nos momentos mais inoportunos. Isso era um coisa legal vendo pelo lado interpretativo do personagem e sua profundidade emocional.

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Nossa! Que tesão ia ser ver isso numa mesa!

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Então jogadores… pegaram o “espírito” da coisa? Em resumo, minha dica na hora de criar um bom background é começar pelos defeitos. Escolha um ou dois, podem ser simples, mas que não deixarão de serem defeitos e comece a arquitetar sua historia. Hoje mesmo eu fiz isso. Passei a manhã fazendo as fichas dos 5 personagens principais da 4temp de LdT e em um dado momento, quando fazia a ficha de um deles, percebi que a personagem não era nada a não ser bolinhas. Daí fui catar defeitos. Achei alguns incríveis pra dados narrativos, como por exemplo, “Compulsão”. Ela tem alguma mania que será a marca registrada dela. Coloquei segredo sombrio… (uuuhh que segredo é esse que nem o criador sabe???) eu outro lá que não me lembro agora.

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Em resumo, a persongem em alguns defeitinhos ganhou uma grande profundidade. Por que? Por que ela se tornou Humana, pessoal! Somos seres humanos, imperfeitos em nossa perfeição, belos em nossas diferenças, e é exatamente isso que provavelmente deve faltar numa mesa de rpg. O tempero humano e nada melhor do que começar pelos defeitos.

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Então… faça isso! Quando for fazer um personagem tente começar pelos defeitos. Olhe pra longa lista escolha um e imagine o porquê dele ter aquilo. Por que esse defeito atrapalha vida dele ou o torna especial. Quando vocês se derem conta, criaram um personagem que pode não ter lá seu background de 3 paginas, mas é tão humano quanto um simples papel cheio de bolinhas e combos que você andava fazendo!

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Basicamente é isso!

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Até a próxima!


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