Diário de um mago
Compartilhando idéias…

Dando continuidade aos artigos relacionados ao Londres de Trevas, técnicas de narrativa, influências e construção de cenário, hoje irei falar sobre Personagens e Ganchos em aberto.

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A idéia principal quando se vai criar uma história é: “Do que ou de quem irei contar uma história?”. Quando se trata principalmente de um romance, é difícil falar “do que”, afinal fazer um romance sobre “As Belezas e Desafios do Pantanal” não tem tanta emoção quanto contar a história de pessoas, com suas vidas e conflitos humanos. Então nesse ponto era o fator: “Personagens”. Mas, qual o real papel dos personagens numa história?

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Primeiramente você pensa: “pô, Eriol, é obvio: eles são o coração da história. A narrativa não é nada sem seu protagonista!”. Sim, vocês estão certos! Agora… E se eu disser que os Personagens são muito mais do que simplesmente o “Coração” da história? E se eu disser que eles são o pulmão, o estomago, o fígado, o intestino, os rins, os órgãos genitais, o cérebro… Sim, os Personagens são muito mais do que “aquele que bombeia a vida para a história”, eles são o cerne de tudo aquilo que torna a história viva.

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Você pode ter um cenário perfeito. Uma história perfeita. Uma narrativa formidável! Mas tudo isso cai por terra quando você não tem Personagens pra dar vida a isso tudo! E ainda fazendo analogia ao corpo humano, os Personagens também são divididos numa trama em categorias bem claras: Os principais (vitais, como cérebro e coração), os secundários (Rins e o fígado) e os terciários (como os órgãos genitais). E cada um deles deve ser bem preparado na criação de uma história, se não tudo cai por terra.

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Peguemos por exemplo o Londres de Trevas. É claro para os leitores que nessa 3ª temporada o personagem principal é o anjo Danyael Kimble. A série começa com ele, e independente de qual arco esteja no ar, ele sempre aparece e tem uma história só dele, colateral a história principal. Outros personagens principais, porém sempre vistos em segundo plano com relação ao Danyael, temos o Erick Russell e Sebastian West. São personagens que também seguiram toda a Temporada e sempre vão estar mais focados que outros.

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Sem seguida temos os personagens secundários. Neles posso citar todos os personagens “principais” dos arcos. Lembra quando disse que a 3temp é subdivida em grandes arcos e cada arco é focado em um grupo de personagens? Então, temos: Nick, Derek, Stephanie, Dan Viper, Matt, Spark, James, Keira, Phill, Lilith, Michelle e Flávius. Cada um desses personagens tem uma importancia vital pra série, entretanto são personagens considerados secundários por que eles influenciam SIM na história, porém não são vitais (vide que posso matar um ou outro sem REALMENTE acabar com a história). Tipo um rim. Você pode viver com um!

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Não estou aqui desmerecendo os personagens, mas é obvio isso. A história, por mais que seja aberta como uma Crônica (contos de uma cidade sobrenatural), ela precisa ter um foco mais preciso, e nesse caso é o protagonista Danyael, que quando não esteve presente foi muito bem substituído pelo Erick e pelo Sebastian. Então, no caso dos secundários, eles precisam dar mais vida à história, afinal não é um monólogo sobre a vida de 1 única pessoa.

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Depois disso temos os Terciários, que por sinal são o real motivo deste post. Eles são a base que sustenta a pirâmide. Por mais que todos olhem para cima, sem eles é impossível ter os personagens primários e secundários. Quem eles são: os pais, a família, os amigos, os colegas do trabalho, e por ai vai… Os terciários muitas vezes são confundidos com os Antagonistas, porém o cú não tem nada haver com as calças! Antagonistas também são separados em primários, secundários e terciários, e numa lista diferente dos personagens protagonistas. (além do que, os Antagonistas são muito mais importantes pra historia do que qualquer protagonista loiro, alto, e forte que tem uma espada fuderosa).

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Tendo ciência disso, sabemos que ao planejar nossas histórias temos que ter muito cuidado na escolha dos personagens e, principalmente, na inclusão dos mesmos. É claro que, quando se trata de uma longa trama, nenhum escritor tem uma idéia precisa de quantos personagens irá usar ao decorrer da trama. Mas, ao incluir qualquer tipo de personagem, temos que ter em mente que: se colocou ele, agora arque com a responsabilidade.

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“Como assim, Eriol?”

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Simplesmente não podemos colocar um personagem, no caso terciário, à toa na série e deixá-lo à míngua (ou simplesmente desaparecer com ele) durante a história. Se você colocou. Deu nome e sobrenome. Deu uma pequena história. Então agora arque com o peso de que ele é agora um terciário e deve ter tanta atenção quando você dá pros secundários e primários. Por que se você não fizer isso haverá o que se chamamos de “ponta solta”. Tenho um exemplo perfeito pra esse tipo de caso.

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Vocês já assistiram a série Lost? Lembra da repercussão que gerou em trono do fato do Rodrigo Santoro está na série? Então… pra quem assistiu a série já sabe onde estou querendo chegar! Simplesmente a série inclui o personagem do Rodrigo na promessa de no mínimo dá algum tipo de gás a história, ele foi desenvolvido, tinha background, personalidade, enfim… era o típico personagem terciário da série. Agora, o que aconteceu REALMENTE com ele na série? R: Foi totalmente esquecido e deixado de lado, à ponto de que os roteiristas, num desespero que eles mesmos assumem o erro, tiveram que matá-lo para não fazer mais merda.

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Outro exemplo, desta vez absurdamente negativo, que posso dar é Smallville. Durante a sexta temporada simplesmente tiram a personagem Martha Kent da série (sim, a MÃE do Super-Homem) e hoje ela tá tão esquecida que nem um “telefonema nos dias das mães” o (perfeito) Clark Kent dá. E vice-versa! Como pode desaparecer da série a mulher que é a precursora do nascimento do herói, que até mesmo no filme mostrou estar sempre do lado dele, ser jogada completamente fora como se tivesse simplesmente morrido?

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Acho que vocês estão começando a entender onde quero chegar. A inclusão de personagens deve ser feita com muito cuidado e atenção, por que se não o arrependimento vai ser muito grande quando você olhar pra trás e falar: “puta, que merda que fiz!”. E olha que quem vos fala tem uma GRANDE experiência nesse tipo coisa!

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Quem lê o Londres deve se lembrar que na Segunda Temporada Danyael e Stephanie tinham mais dois irmãos caçulas. Claro que quando criei a Segunda Temporada eu pensei em incluí-los apenas pra dar, em algum episódio, aquele “alívio cômico” à série, mas nem de longe isso foi preciso! Simplesmente por que de alívio cômico eu já tinha meia-dúzia de personagens assim (Spark, Spinel, Matt, Tawnee, Nick, e Sebastian) e colocar mais uma “dupla de irmãos sapecas que vão aprontar grandes confusões e curtir altas aventuras nesta cidade do barulho” [modo sessão da tarde: OFF] não ia servir de nada na série.

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Por isso que, discretamente, na minha revisão da Segunda Temporada eu removi os gêmeos e ainda por cima deixei de mencioná-los na Terceira Temporada, como se nunca tivessem existido (“Um escritor muito do esperto, que se meteu em uma confusão tamanho família, agora tenta concertar sua gafe da pesada antes que entre em confusões pra lá de Bagdá!”) (ok, chega de piadas de narrador da sessão da tarde^^).

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Como disse anteriormente, a série que mais me deu “aulas de narrativa” foi sem dúvida Fullmetal Alchemist. Tanto o anime quanto o mangá é bem rigoroso com relação a inclusão dos personagens na série. Seja ele um simples empregado do açougue, o oficial que serviu de segurança dos irmãos Elric, ou então uma menina que só sabe ler e ter memória eidética, esse personagem terá sua importância na história e será, no mínimo, mencionado ao decorrer da mesma. No final, ele terá seu próprio desfecho, por mais que seja simples e relevante.

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Isso pode parecer um tanto paranóico, mas pra mim é algo extremamente importante. Mostra o quanto os criadores da série estão preocupados em fazer algo bem feito, de qualidade, evitando qualquer tipo de deslize ou arrependimento futuro. Mostra também a dedicação, o profissionalismo e o respeito que eles tem, não apenas com a série, mas com os fãs que o acompanham. É muito gratificante chegar no final de uma saga e falar: “Nossa! Que história perfeita!”, só isso valerá pros criadores um pedacinho do Céu particular!

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Então, sabendo disso tudo, vamos concluir a resenha:

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Primeiro, sempre deixe bem claro quem são os Protagonistas de sua série. Isso fará com que você tenha os pés sempre no chão. Mesmo que a série que você pretende fazer tenha 5, 10, 20 personagens, certamente terá 1, 2, ou 3 que serão os mais focados e é neles que você tem que manter a atenção principal.

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Depois disso, naturalmente irão surgir os secundários. Mas os secundários não será algo muito complicado, eles irão aparecer naturalmente, apenas tenha desde o inicio a certeza de que: Eles SÃO secundários. Independente se ele fez ou faz mais sucesso que os primários, não vá fazer a besteira de “de repente” eles se tornarem Protagonistas só por que o publica os adora. Vocês podem até citar: “Ah, o Castiel de Supernatural era secundário, hoje ele é protagonista!” – Não, não é! O ator pode ter conseguido seu lugar no Elenco fixo junto com os irmãos Winchester, mas a história em momento algum vai deixar os irmãos de lado e sua história pra focar exclusivamente o Castiel. O mesmo vale, em Fullmetal, o Coronel Mustang. “Everybody loves Roy Mustang”, e por mais que a série tenha arcos exclusivos do Coronel, a série é deixa bem claro que a história é dos irmãos Elric e sua busca em recuperar seus corpos de volta.

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Dito isso, se a preocupação com os secundários é importante, os Terciários devem ter igual cuidado. Ok, eles estão ali só pro mundo não girar em torno dos Protagonistas, mas eles EXISTEM, são seres humanos que nem eu e você e eles merecem no mínimo ter uma atenção. Colocar um personagem na trama “apenas pra ficar legal” é fazer trabalho de bosta. Sacar uma “pokebola mágica” e de dentro sair uma Criatura Fantástica só pra fazer o protagonista ser o “fodão” não cola! Então, dito isso, toda vez que você incluir um personagem terciário saiba bem o que está fazendo, e principalmente, mesmo que ele fique no banco de reservas, lembre-se que ele existe! Durante a história, dá uma reaparição dele. Faça com que ajude de alguma forma o protagonista ou simplesmente faça com que a história precise de uma “ajudinha” dele, como se fosse uma participação especial! Tenho certeza que quando fizer isso, tanto os leitores quanto os fãs vão ficar muito felizes de ver que sua série favorita é tão viva quanto a vida real!

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Então é isso. Se eu tiver me esquecido de dizer alguma coisa vou incluindo nos comentários. Por isso, não deixem de colocar seus comentários com perguntas, opiniões e criticas, assim posso abranger mais sobre o assunto.

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Outra dica antes de ir: Tudo que foi dito aqui poderá será PERFEITAMENTE usando em Narrativa de RPG. É só trocar algumas palavras e tudo fará sentido!

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Abraços!


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Uma das perguntas mais freqüentes que escuto desde que criei o Londres de Trevas é: “Quando ele vai sair em livro?”. Bom, a resposta não poderia vir em melhor hora depois de minha visita aos dois dias de RPGCon 2009.1 (sim, pq está previsto o .2). Lá eu pude conversar com as principais editoras de rpg do Brasil, e de quebra planejar como será a transição do Londres da web pras gráficas.

Então, primeiramente vamos esclarecer, eu não tenho uma preferência de Editora, mas vide alguns relatos das próprias editoras tem algumas que estão (definitivamente) cortadas de minha lista. Não vem ao caso eu ficar aqui dizendo quais são e porque estão cortadas, mas pra quem me conhece terá uma vaga idéia de qual estou me referindo.

O que aconteceu… No RPGcon tive uma conversa com as editoras e delas comecei a ficar pensativo sobre essa hipótese de livro. Sempre foi meu objetivo lançar em livro, mas eu nunca sabia quando e como. O editor da Devir foi bastante receptivo, entretanto, ele levantou questões que são obvias pra quem as escuta:

“Não dá pra publicar nada que já foi lançado de graça na rede.”

“O interessante seria publicar algo novo, também de sua autoria, como por exemplo uma continuação da saga. Isso ia atrair tanto novos públicos quanto os veteranos.”

“Ou, tem a opção de aproveitar enquanto você ainda é anônimo e tirar tudo que está na rede pra publicar em livros.”

Não dá pra publicar nada que foi lançado de graça na rede? Tudo cai na rede! A questão é: quem está disposto a ler as mais de mil páginas da Terceira Temporada na web??? Sim, nesses 5 anos de Londres, conheço muitas pessoas que dizem que não lêem o Londres pq ficam com a vista cansada no monitor. (sim, é de você mesmo que estou falando!). Os próprios leitores veteranos dizem que quando um episódio é muito grande (mais de 20 páginas) eles deixam pra ler em partes. Essa é a velha discussão que pra mim já está tomada como encerrada: a internet vai substituir o papel um dia?

Não! Podem vir quantos pdfs você quiser, nada vai substituir a sensação única de você deitar na sua caminha, pegar aquele livro de cabeceira, e fazer aquela boa leitura antes de ir dormir. E quando o assunto é RPG sou mais categórico: NÃO VAI substituir. (Palavras de Eriol… amém!).

Então, além da Devir, minhas conversas com outras editoras interessantes que estavam lá, como a Jambô e (por telefone) a Novo Século firmaram o que realmente falta pro Londres: as provas finais. Tá faltando que este que vos fala tomar vergonha na cara, terminar logo a Terceira Temporada, revisar, diagramar, imprimir e enviar pras Editoras. Claro que numa trilogia não irei começar pela terceira parte. Falta então eu terminar a Reescrita da Primeira Temporada, revisar, diagramar (sendo que este está quase feito, vide que eu digito num .doc), imprimir e enviar. Falando isso até parece fácil, mas não é. A verdade mesmo é que não vejo a hora de acabar logo a 3temp pra poder me dedicar exclusivamente a essa parte do Londres. Tentei meses atrás tocar os três projetos ao mesmo tempo, sabe o que eu descobri? Que eu tinha que escolher entre viver ou digitar o Londres, pq os dois não conseguiam coexistir =/.

E no meio disso tudo temos ainda a Quarta Temporada (ou Última Temporada). O capitulo final de nossa saga onde irei estrear o “verdadeiro” protagonista do Londres de Trevas: Andrew. Só que, depois receber o Choque de Retorno nas conversas com as Editoras sobre o destino que Londres terá que tomar, a 4temp foi a que me deixou mais chocado: ela não será, definitivamente, publicado na web. Não apenas ele como também outros projetos (ex: Voices, mas este ainda estou revendo isso). Pra mim que sou apaixonado pelo “londresdetrevas.com” foi triste ter que tomar essa decisão. Mas, ou era isso ou nunca ter uma decisão concreta do que quero pro futuro do Londres. E livro vem em primeiro lugar!

E assim termina nossa história. O que está decidido hoje:

  1. O que está no ar vai continuar no ar até segunda ordem. Isso inclui as versões reescritas da Primeira e Segunda Temporadas, que ficaram no ar até que eu as tire definitivamente. (OBS: quem estiver acompanhando-as, por favor, me envie um e-mail solicitando as continuações. Não terá problema nenhum eu os enviar pra vocês.)
  2. Quanto a Terceira Temporada irá continuar do jeito que está. Irei postar os Episódios até o fim da Temporada e até lá vai ficando no ar até eu começar a agilizar o lance das publicações.
  3. E a Quarta… bem, essa realmente tem mais chances de sair só em 2015 e em livro! =/

Acho que agora deu pra tirar algumas duvidas de meus leitores sobre o futuro do Londres! Até a próxima então!


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Pra começar o blog pensei em falar sobre um assunto que comentei ontem com um amigo do msn e que durante um bom tempo eu explico várias vezes: “Como eu projeto os episódio do Londres”.

Bom, pra ser sincero isso até pra mim é novidade ^^. Te dou garantias que quando a Primeira Temporada e a Segunda foram escritas nem de longe passou pela minha cabeça “organizar as idéias”. Entretanto, logo no inicio da Terceira comecei a fazer tudo diferente. Por quê? Influências!

Tudo começou quando fui ver os extras de uma série americana que curto muito, Sma… er… bem…, que eu curto muito!  Nela mostrou como eram os bastidores dos escritórios dos escritores e produtores. claro que após muito blá-blá-blá sobre a série, eles logo mostraram como funciona a bagaça. Primeiro eles fazem uma reunião dai surge um Brainstorm (tempestade de idéias) no qual todos dão suas idéias de como deveria ser o episódio. Claro que, quando se está fazendo uma série de longa data e vc já está no meio do caminho de uma temporada, esses brainstorms ficam mais focados “no que precisa ser mostrado”, em virtude dos ganchos e continuidades.

Achei isso fantástico, por incrivel que pareça! Tipo, eu não tenho obviamente um equipe de produção, mas sinceramente, eu NUNCA, até então, parei pra anotar e estravasar todas as minhas idéias pras temporadas. A Primeira e Segunda temporadas de Londres eram feitas ali, na hora, enquanto digitava. Parecia uma narrativa de RPG: só no improviso. Em parte isso até ficou legal, afinal nao teria leitores até hoje! Entretanto, todos concordaram que a Terceira ficou milhões de vezes melhor que as anteriores E, principalmente, melhor estruturada.

Por quê? O simples fato d’eu pegar todas as ideias e jogá-las num quadro fez com que eu enxergasse a série de forma mais abranjente e, claro, organizá-la melhor. E foi a partir desta organização que nasceu a estrutura do Londres como é conhecida hoje: os Arcos.

Inicialmente eu pensei: “Cara… que merda que eu fiz! Criei uma porrada de personagem bons, só que não desenvolvi nenhum! Pior, aqueles que eram pra eu REALMENTE desenvolver, ficaram no banco” (hehehe… desculpa, Guto! :P ). Então, logo no inicio, enxuguei os personagens da segunda e os separei em grupos. Cada grupo teria um arco de história à parte no qual se ligaria à espinha dorsal da trama principal.

Então tivemos 5 arcos: 1 [sebastian, nick e erick], 2 [derek, stephanie e dan viper], 3 [james, keira, matt, phill e spark], 4 [danyael e lilith], e 5 [eriol, michelle e flávius]. Claro que isso foi no inicio, muito antes d’eu escrever o prólogo da 3temp. Hoje cada um desses arcos está um pouquinho maior, e com muitos mais personagens extras.

Dai, olhando pro quadro que tinha em casa (dica: uma lousa, seja de giz ou de pincel, é de uma ajuda Fantástica pros criadores de histórias!), pude planejar melhor a série, já pontuando os principais fatos e deixando bem claro a Trama Principal com seu Começo, Meio e Fim.

Depois de planejada a receita do bolo, vamos fazê-lo! Agora vem as novidades que fui apredendo ao longo desses últimos três anos!

Também influênciado, só que desta vez por um amigo (abraços, Wes!), a partir do episodio 40 (e alguma coisa… :P ) criei o que hoje chamo de “resumo de cenas”. O que é isso?

Nada mais é do que fazer a mesma coisa que fiz com a série antes, so que agora focado num unico episódio. Eu abro uma página em branco no word e começo a escrever bem resumidamente o que pretendo mostrar neste episódio. Exemplo:

Episódio XXX – resumo de cenas
Cena 1: Danyael chegará mais cedo do trabalho esperando encontrar aconhego nos braços de sua esposa Lilith. Entretanto, Danyael pegará Lilith com Sebastian na cama o que levará os portadores das espadas fuderosas num novo conflito – desta vez mortal^^.

Cena 2: Do outro lado da cidade, Eriol passou a madrugada estudando tendando descobrir uma forma de criar uma mulher “Sexy Doll” perfeita pra ele enfim largar de mão de ver filmes pornôs.

Cena 3: a luta entre danyael e sebastian continua (…).

Entenderam como funciona? Isso é bem simples de se fazer e muito fácil! Vcs não tem idéia de como isso ajuda pra baralho!!! Quem pretende ser escritor vai ai uma dica de ouro! Dei essa dica pra outro amigaço do msn (abraços, Luis!), no qual ele pretende (se conseguir encontrar uma vaga em suas 16hs de trabalho) fazer uma mini-série baseada no Londres. Pelo que ele me mostrou a série dele já ta praticamente pronta só com esses resumos de cena. Só falta mesmo fazer! É como eu disse… é igual a uma receita de bolo, depois é só seguir direitinho (ou não) e botar a mão na massa!

Então… é basicamente isso o que eu faço. Quando surge alguma idéia nova eu digito lá num .doc que tenho chamado “brainstorm” (não tenho mais um quadro negro T.T) e antes de fazer qualquer episódio faço esse resumo de cenas. com algumas excessões, como foi o Episódio 50, no qual deixei literalmente a mente fluir ^^ (pra mostrar que improvisações não são tão ruins assim!).

Na próxima, vou falar sobre técnicas de narrativa que também uso. Vou logo adiantando que não será nenhum Tele-curso 2000 sobre histórias e narrativas! Vou contar apenas minha experiencia pessoal. Se não gostar… um abraço!

Até!


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